
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que um eventual afastamento de Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF) poderia ampliar a influência do próximo presidente sobre a composição da Corte. O cenário ganhou força após as revelações sobre a relação entre o ministro e Daniel Vorcaro.
Caso Moraes deixe o tribunal, o próximo chefe do Executivo poderá indicar cinco dos 11 ministros do STF, considerando a vaga aberta após a saída de Luís Roberto Barroso e três aposentadorias previstas. Para integrantes do grupo político de Lula, a concentração de nomeações poderia representar um risco institucional, principalmente em uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL).
Diante desse cenário, a avaliação dentro do governo é que a permanência de Moraes no Supremo deve ser preservada, mesmo que o ministro enfrente desgaste político e público. A estratégia, no entanto, tende a ocorrer de forma discreta, sem manifestações explícitas de Lula em defesa do magistrado.
Ao mesmo tempo, aliados do presidente consideram que uma defesa pública e ostensiva de Moraes poderia produzir efeito contrário ao pretendido. A avaliação é que o ministro enfrenta forte desgaste na opinião pública, o que dificulta a adoção de uma postura mais aberta de apoio por parte do governo.