
O linfoma é um tipo de câncer hematológico que pode atingir os gânglios linfáticos e também outras regiões do organismo. Em entrevista nesta quarta-feira (2), a hematologista Dra. Ana Carla Franco explicou os principais sintomas, formas de diagnóstico e opções de tratamento. A médica ressaltou que a maioria dos casos de “íngua” está relacionada a infecções ou inflamações. Alterações persistentes, porém, precisam de avaliação profissional.
Segundo a especialista, existem diferentes tipos e subtipos de linfoma, com características e comportamentos distintos. Por isso, identificar corretamente a doença é fundamental para definir a conduta adequada. A biópsia tem papel central na investigação, principalmente quando existe suspeita de comprometimento dos gânglios. O material coletado passa por análises especializadas, incluindo exame anatomopatológico e, quando necessário, imuno-histoquímica.
Gânglios aumentados, conhecidos popularmente como “ínguas”, aparecem com maior frequência em situações de infecção ou inflamação. Uma alteração isolada, portanto, não significa necessariamente a presença de câncer. Quando o gânglio permanece aumentado, apresenta volume significativo ou surge acompanhado de febre, perda de peso e suor noturno, a recomendação é buscar avaliação médica. Sintomas semelhantes também podem ocorrer em outras doenças, como a tuberculose ganglionar.
Embora os gânglios sejam locais frequentes de manifestação, o linfoma também pode atingir diferentes órgãos. A doença pode surgir, em casos menos comuns, no estômago, intestino, tireoide, olhos, região genital e cérebro. Existem ainda gânglios localizados em áreas profundas, que podem não ser percebidos externamente e acabam identificados por exames de imagem durante a investigação.
Para confirmar o diagnóstico, geralmente é necessária a retirada de parte ou da área afetada para análise. Nos casos envolvendo gânglios, a médica explicou que a retirada do próprio gânglio é preferencial para o estudo. Dependendo da região comprometida, outros procedimentos podem ser indicados, como endoscopia ou colonoscopia. A definição do método depende do local e das características apresentadas pelo paciente.
Atualmente, o tratamento varia conforme o tipo e o comportamento do linfoma. Existem formas indolentes, que evoluem mais lentamente, e outras consideradas agressivas. Entre as possibilidades terapêuticas estão quimioterapia, radioterapia, imunoterapia, terapias-alvo, transplante de medula óssea e, em situações específicas, terapia CAR-T. Segundo a hematologista, os avanços da medicina têm ampliado as possibilidades de controle e cura da doença.
Por fim, não existe atualmente um exame específico destinado à prevenção do linfoma. A chamada prevenção clínica envolve acompanhamento médico e investigação de alterações persistentes. A orientação é procurar atendimento quando um gânglio aumentado não desaparece ou quando surgem sintomas associados. A especialista reforçou que a presença de uma “íngua” não significa, por si só, câncer, mas alterações persistentes não devem ser ignoradas.