Flávio Bolsonaro explora cancelamento de debate enquanto campanha de Lula mira indecisos

A três dias do primeiro turno das eleições, as campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) adotaram estratégias distintas após o cancelamento do debate presidencial da TV Globo, ocorrido na noite de quinta-feira (1º). O levantamento mais recente do Datafolha aponta Lula com 45% dos votos válidos e Flávio com 40%, enquanto a disputa pelo eleitorado indeciso permanece entre as prioridades das campanhas.

Na campanha petista, a estratégia passou a concentrar esforços nos eleitores que ainda não definiram o voto. Embora representem 2% no cenário estimulado da pesquisa, os indecisos chegam a 13% quando os entrevistados respondem espontaneamente. Aliados de Lula também manifestam preocupação com abstenções e com os movimentos políticos que poderão ocorrer até a votação deste domingo (4).

Enquanto isso, Flávio Bolsonaro incorporou o cancelamento do debate ao discurso de campanha e passou a defender o chamado “voto de revolta” e o voto útil. O candidato do PL afirmou que decisões judiciais interferiram nas regras do programa e utilizou o episódio para pedir apoio de eleitores que ainda consideram outros nomes do campo da direita.

O debate foi cancelado pela Globo depois que duas decisões judiciais alteraram regras previamente estabelecidas para o encontro. A ministra Estela Aranha, do TSE, determinou que a emissora não exibisse o púlpito vazio destinado a Lula, que havia informado que não participaria. Posteriormente, o ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou a inclusão do candidato Renan Santos (Missão).

Diante das mudanças, Flávio Bolsonaro anunciou que não participaria do programa e realizou uma transmissão ao vivo no mesmo horário. Durante a manifestação, o candidato classificou as decisões como censura e pediu que eleitores transformassem a insatisfação com o episódio em votos no primeiro turno, além de defender a necessidade de sua candidatura para a disputa presidencial.

No campo de Lula, integrantes da campanha avaliam que a reta final exige atenção aos eleitores que ainda podem mudar de posição. Segundo relatos publicados pela Folha de S.Paulo, aliados divergem sobre os efeitos das estratégias adotadas nos últimos dias, incluindo mobilizações de rua e peças de propaganda que apresentam críticas e acusações contra Flávio Bolsonaro.

A pesquisa Datafolha, realizada entre 29 de setembro e 1º de outubro com 2.506 eleitores, mostra ainda cenário de 48% para Lula e 45% para Flávio em uma simulação de segundo turno, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-08039/2026.

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