
Reação silenciosa, porém firme, redesenhou o clima na base governista após o anúncio antecipado da chapa majoritária feito pelo senador Jaques Wagner. Aliados estratégicos reagiram nos bastidores e cobraram diálogo. O movimento ganhou força com a intervenção do governador Jerônimo Rodrigues, que atuou para conter a crise interna.
Insatisfação cresceu especialmente entre PSD e Avante, siglas que reúnem cerca de 200 prefeitos na Bahia e exercem peso decisivo nas eleições. Lideranças dos dois partidos se reuniram reservadamente e avaliaram que Wagner ignorou aliados ao defender uma composição considerada “puro-sangue” petista, sem submeter a discussão ao chamado conselho político.
Sinal público do descontentamento surgiu no fim de semana, quando o senador Otto Alencar publicou um vídeo ao lado do deputado federal Neto Carletto. Sentados à mesa, os dois citaram o versículo de Mateus 12:25 e reforçaram a mensagem: “toda casa dividida contra si mesma não pode permanecer”.
Bastidores apontam que o gesto teve endereço certo. Otto e Carletto sinalizaram que não aceitarão decisões impostas “goela abaixo”. Dirigentes defendem debate coletivo antes de qualquer definição oficial. A leitura é clara: unidade se constrói com diálogo, não com anúncios isolados que desconsideram aliados históricos.
Influência do ministro Rui Costa também pesa no tabuleiro. Embora seja pré-candidato ao Senado pelo PT, ele mantém proximidade com o Avante e articula espaço para o grupo na chapa. Nos bastidores, aliados mencionam o nome de Ronaldo Carletto como possível vice.
Memória recente reforça o alerta interno. Em 2022, decisões centralizadas provocaram ruídos e contribuíram para o afastamento do senador Angelo Coronel da base, movimento que beneficiou a oposição liderada por ACM Neto. Aliados temem repetir erros estratégicos.
Histórico de tensões inclui ainda o episódio envolvendo João Leão, quando acordos foram anunciados pela imprensa antes de consolidação interna. Lideranças recordam o desgaste causado na época e defendem maturidade política para evitar novo racha.
Clima permanece de cautela e expectativa. Governistas reconhecem que a força do grupo depende da coesão entre partidos que sustentam a base. Enquanto Wagner mantém a defesa de sua proposta, PSD e Avante deixam claro que a palavra final precisa nascer do consenso, sob risco de a “casa dividida” ruir antes mesmo da eleição.