
Cenário político da Bahia entrou em alerta após movimentos recentes dentro do PSD. O senador Otto Alencar mostrou força ao isolar Angelo Coronel da base de Jerônimo Rodrigues, ajudando a viabilizar a chapa governista. A manobra reforçou a influência de Otto no curto prazo, mas abriu uma frente de risco dentro do próprio partido.
Bastidores indicam que o controle exercido por Otto no estado pode esbarrar no poder nacional do PSD. Gilberto Kassab, presidente da sigla, é visto como estrategista pragmático e pouco disposto a sacrificar projetos nacionais por alianças regionais. O anúncio de saída de Coronel acendeu sinais de nervosismo no governo baiano.
Expectativa inicial era de comemoração, já que a saída de Coronel liberou espaço para a chapa “puro-sangue” do PT. Ainda assim, Jerônimo Rodrigues e Rui Costa evitam tratar o rompimento como definitivo. A cautela reflete a percepção de que o tabuleiro eleitoral segue instável a poucos meses das convenções.
Análise interna aponta que Otto não tem garantias de Kassab para manter o PSD alinhado a Lula e Jerônimo. O partido hoje abriga múltiplos projetos presidenciais, o que reduz a previsibilidade. Caso um nome ganhe força nacional, alianças estaduais podem ser revistas sem aviso prévio.
Possibilidade mais sensível envolve ACM Neto. Caso o ex-prefeito de Salvador decida migrar para o PSD, seguindo o exemplo de Ronaldo Caiado, o partido pode reposicionar seu comando na Bahia. Nesse cenário, Otto perderia protagonismo, e o PSD passaria a liderar a oposição estadual. As movimentações estão só começando.