31 de março de 2016
Sem categoria
Imagem Reprodução
Ter uma nova criança na família traz incontáveis alegrias. Ao mesmo tempo, porém, muitas mudanças acontecem – e é comum ouvir falar sobre o impacto que tudo isso exerce sobre o psicológico das mães. Mas, e os pais? Eles também merecem atenção nessa nova fase da vida. É justamente isso que um estudo recente alerta: os homens podem ter depressão associada à chegada dos filhos. A Universidade McGill, no Canadá, realizou uma pesquisa com 622 homens que iriam se tornar pais, com o objetivo de investigar a saúde mental deles. O resultado mostrou que 13% dos homens apresentam níveis elevados de sintomas de depressão durante a gravidez da companheira. Esse número representa 1 em cada 8 pais. O estudo afirma que existe uma relação clara entre os sintomas depressivos e as poucas horas sono do homem durante e após a gestação da companheira. A pesquisa afirma ainda a depressão nessa fase da vida também parece estar associada a fatores como: histórico familiar, baixa satisfação conjugal, falta de suporte familiar, dificuldades financeiras e vivência de eventos estressantes. A boa notícia, segundo os cientistas, é que esse início de depressão pode ser identificado precocemente para que não evolua para quadros mais graves. Por que o pai? “Há muitas décadas sabemos, na psicologia, que a gravidez é um dos dez fatores de maior estresse na vida das pessoas. Não é à toa que há tantos estudos sobre depressão pós-parto. Mas, há algum tempo, os pais também têm aparecido nos consultórios.
Eles estão começando a notar certos desequilíbrios emocionais, como quadros de ansiedade e algumas tristezas. Quando nasce um filho, nasce uma mãe e um pai”, comenta Armando Ribeiro, psicólogo e coordenador do Programa de Avaliação do Estresse da Beneficência Portuguesa de São Paulo. Ribeiro afirma que é preciso lembrar que, embora a gravidez aconteça no corpo feminino, o homem também participa do processo criando expectativas e questionando a si mesmo: “Será que serei um bom pai? Será que vou conseguir prover o que a criança precisará?”. Tudo isso gera uma grande preocupação. Além disso, é natural que, nessa fase, todas as atenções se voltem para a mulher, de modo que o homem fique em segundo plano. “Se ele já tem uma autoestima baixa, isso pode ser acentuado nesse momento”, ressalta o psicólogo. Desânimo muito grande, apatia, pensamento negativo, tristeza duradoura e sem causa aparente, ansiedade, irritabilidade, alterações no apetite e no sono. Tudo isso pode indicar que algo não vai bem. Ao notar que o estado emocional já não é o mesmo de antes, é de extrema importância buscar auxílio profissional – sem preconceitos! “Os transtornos mentais são quadros reais, como qualquer outra doença. Quanto mais cedo a pessoa procura ajuda, mais cedo o problema é tratado. Mas os homens ainda têm muita resistência a tratar doenças emocionais”, diz Ribeiro. Por esse motivo, o psicólogo ressalta a importância que a mulher exerce no tratamento do companheiro. Na maioria das vezes, são elas que agendam as consultas para eles, e incentivam a ida ao consultório. “É bom ficar atento. O homem costuma resistir a qualquer busca de ajuda”, afirma Ribeiro.